Numa fulguração pelo cume, na fulguração como vertigem, ele vê algures (mas onde?) o ventríloquo revê o que um dia viu (mas quando?) o único quadro, não um díptico, não um tríptico, da batalha de S. Romano, a tarde de lanças em que afinal se não perdeu Bernardino della Ciarda, a dança de elmos e cavalos, e cavaleiros, e heráldica.
O tecido nunca puído da luz da batalha rarefazendo as imperfeições das horas sangrentas, pó, estrépito, o furor dos de Florença e de Siena, essa seda permanecerá viva com átomos das gemas mais raras, doces frutos da Toscânia, os olhos íntimos de Paolo Uccello observando a simetria que há nas chacinas e há nos poentes de ouro e lâminas.
Nesse tecido, como zângãos convulsivos, Niccoló da Tolentino e Miccheletto da Cotignola agarram com as mãos enluvadas uma inquietação que nunca finda, exibem-na e ocultam-na, são vencidos por ela ou vencem-na no campo, na dança, na batalha.
Vem, ser fabuloso.
Vem, dia.
1/6/2005