Ramos nus a entrarem para dentro do azul são arabescos do labirinto.
Também a língua destes transeuntes, destes desconhecidos junto a um mar, com barcaças lógicas de ferro e decrepitude. Um vento sopra.
Chama-se Mabiala.
No Uíge era chamado de Mabiala pela mulher que tinha uma cinza no olhar e assim é chamado por sombras que na noite o visitam. Umas aves brancas atravessam-se nas leis da língua, facas puríssimas e esses movimentos de vertigem retiram consistência aos edifícios e às avenidas dos edifícios. Roubaram-lhe o pouco salário como se ele vivesse do voo dessas aves brancas, do risco fosforescente desses pássaros invadindo o íntimo de uma noite em que persiste o mal, o incompreensível.

8/3/2005