Ainda trago a dúvida comigo, como um telegrama de outrora, como cartão de visita. Foi no sétimo, no nono andar? Que significação atribuir a esta duvida? Pode-se observá-la como marca de água, como nó na tábua do sobrado?
O elevador cómodo, espaçoso, veloz, adequado a uma época de animais domésticos.
Observei que estavam abertas as portas de vidro da varanda. O pequeno asno ergueu-se nas patas traseiras e debruçou-se com as anteriores sobre um varão de ferro que protegia do precipício.
Mas protegia mal.
Na luz rosada do poente o corpo desastrado saltara com alegria, com impaciência. Quando aproximámos o olhar do vasto terreno coberto de areão nenhum de nós esperava a boa notícia. Eu pensava na sua improbabilidade e assim as duas mulheres.
Havia o refúgio a que se chama indiferença.
O corpo cambaleante tardou em recuperar o equilíbrio, sacudiu-se, sacudiu-se de novo na luz rosada do poente, deu alguns passos, iniciou a marcha, interrompeu-a, retomou-a, correndo, correndo com a mão de Deus por baixo.

4/3/2005