Uma transformação realizada sobre a coisa cadente, sobre a vagarosa descida na prata do estuário, gerará a ilusão de que tinha havido uma mariposa e de que esta viera sufocada de melancolia.
Nada mais falso.
A aeronave trazia os faróis, dois, inutilmente acesos na luz do dia.
Pousou como folha morta sobre as águas de um passado com palavras quase esquecidas, as águas glaucas, mas de facto submergiu para que um desastre de aviação se fizesse real. Nas instalações portuárias, à esquerda do observador, uma azáfama sob guindastes apressou-se com o navio salva-vidas.
Trazido à superfície com rapidez surpreendente, o avião ficou de bojo aberto expondo as mercadorias. Era um aparelho de pequenas dimensões, acabado de chegar de uma das ilhas e nenhum dos dois homens da tripulação sofrera ferimentos.
Caminham pelo cais exibindo as máscaras, as desconhecidas.

21/2/2005