Um vento categórico vem pela cidade no entardecer.
Um vento quase frívolo empurrando nuvens.
Na desordem que agora cresce pelos arruamentos, com as loiças partidas, sacos de plástico, cavername sob tensão, recebo de dois mensageiros os recados que se contradizem. Sob uma luz de oráculo imagino a balança entre a promessa de um e a denegação do outro. Na vocação teatral dos acontecimentos deteta-se uma necessidade de suspensão ou espera. Porque a aflitiva falta de ar.

18/1/2005