(Grande Palmípede) I


Pensa o viajante - «Observado de dentro o grande palmípede pode ser um aparelho auditivo, canais de conformidade rara, ossos pequenos, um labirinto.»

Não é possível distinguir dentro e fora.

É possível, mas de uma forma apenas provisória. Logo torna a mesma dúvida na estação que vem.

Há a perceção da irreversibilidade dos acontecimentos. A noção de viagem sem retorno, uma ascensão.

Não é possível confiar nos sentidos. O que num momento é sensação de ascensão, noutro é de descida, no que respeita à noção de espaço. Dizem-me que a termodinâmica estuda os fenómenos irreversíveis.

As estações têm portas?

Portas como metáforas.

Portas acordes nas variações para cravo?

As estações potenciam bifurcações múltiplas. Essa renovada potência é centro de fenómenos reversíveis. Podem ser perseguidos numa direção e na direção inversa do tempo. Em cada nova estação e em cada antiga de volta, acelera furtivamente (não há outra forma de dizê-lo?) o motor reversível.

De qualquer forma, por dentro há a ideia de um aparelho auditivo.

Ou uma tenda de circo? Os elefantes gráceis, ursos, acrobatas com o cabrestante e a Queda Vertiginosa.

13/1/2005