
«Uma história irlandesa.» disseram. Mas que quer isso significar, qual o enigma decifrável escondido por detrás? Malloy caminha pela pequena cidade portuária, pelas ruas estreitas, depois em direcção ao cais, observando que os mastros dos navios fazem de espectros no nevoeiro do crepúsculo. Na realidade ninguém sabe o que os seus olhos escolhem, nem agora nem durante a tarde demorada de onde as últimas cores do verão se haviam retirado. Aparentemente uma determinação firme vem avançando com os passos da mulher, algo contra uma perda, contra uma dor observável, teatral e nada poderá deter esse avanço, surpresa alguma com ovos num lago imóvel. Muito diferente é o acordo nas sombras de paredes rugosas quanto a Molloy. A deslocação do homem, nas vestes anódinas, nos gestos movidos por uma tenaz de símbolo, repetitiva, é uma luz atraindo o golpe brutal, a navalha nas vísceras, de baixo para cima, nas traseiras do bar.
30/8/2004
30/8/2004
