No trânsito








Virgo em contra mão com motor de 50 cm3 de cilindrada.

8/2/2011

Os ferozes







Um céu de algodão e estampilhas. Ah! Os ferozes carbonários!

8/2/2011

Máscaras?





Da boca dos edifícios (das bocas) saia uma luz branca.
Tu eras Heitor e o eremita, e cabeça do galo.
As vagas no ar dormente são faiança para Lázaro.
No fim do dia, a faca espetou na montanha da fábrica de cimento uma ferida coalescente, a iluminada.
Tinha havido o ouro, incêndio da toalha, os arenitos.
Ah! Os cais de embarque, os leques!

19/1/2011


Dentro, fora







Espanhol sentou-se a uma mesa na entrada do túnel e atirou cá para fora as suas plumas ruidosas.

19/1/2011

Os pneus carecas








Com a chave-inglesa na mão direita e um gesto de donaire do braço esquerdo, fez a observação sobre o tempo. Tempo riso? O da Fábula teológica? Fez, abriu os braços, afastou-se por grandes vias na manhã recombinada, foi trocar os pneus.

17/1/2011


Cal. Cães







Estrada vazia na noite. Contra altos cedros, veloz como Anverso deslocando-se a Nada, ao ofício da extinção, a Anómalo. Sob o arco da ponte calcinada pela era, Vento é único na erva rasteira contra Moloch e Aurora putrefacta com Cavalo morto. Para um Alguazil Lampiños. Depois, a cal. E Cães. 

16/1/2011

Espectáculo







Rodízios e rodas dentadas, e pétalas comburentes. Que encenação!

12/1/2011

As aparências







Numa rua da judiaria observei o casaco com padrão em «espinha». O desconhecido dá meia volta, e passo a encará-lo com outros olhos. Quem era eu?

10/1/2011

O segredo






Não ignoro que este bairro foi cenário da busca infrutífera. Devo chamar-lhe assim? Não ignoro que estes edifícios, a noite opaca destes edifícios e as árvores de pórfiro nos jardins imóveis são guardiões do segredo. Aguarda-me agora a segurança pública. O de bondosos olhos oficial do ofício. Acompanha-me à porta, despeço-me com um gesto, vejo as silenciosas.

10/1/2011